Enquanto o processo eleitoral é jogado como num jogo de xadrez, onde nós eleitores somos equivalentes aos peões do xadrez, das nossas salas em frente à TV estamos alheios ao jogo enquanto assistimos sua excelente programação. Quem pode, quase sempre, assiste mastigando ou bebendo alguma coisa. Os que não podem ficam mesmo de braços cruzados, sentados naquele velho sofá na sala, fazendo aquele movimento curto de abre e fecha pernas rapidamente como se fosse um tique nervoso, enfiando peidos no velho e encardido sofá enquanto esperam uma ordem para levantarem-se para a próxima jogada já esquematizada pelos mentores desse jogo.
Somos os peões num tabuleiro de xadrez, onde os jogadores só precisam da gente pra iniciar o jogo. Depois de iniciado o jogo ele é jogado somente por eles, que sempre movem aos peões no sentido em que a jogada lhes favoreça. Só eles sabem pensar na próxima jogada, nenhum peão é capaz de pensar uma jogada.
Os tempos mudaram, mas o jogo continua do mesmo jeito: os peões sempre sendo movidos no mesmo sentido. As estratégias dos novos jogadores é um pouco diferente, mas continua sendo o mesmo jogo.
Nesse momento temos vários tabuleiros, vários jogadores e milhões de peões sendo movimentados no sentido que melhor atenda aos jogadores. Quem sabe jogar melhor, move melhor e pode ganhar o jogo. Os peões são os que menos importam depois do resultado do jogo... Até que outra partida seja iniciada.
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